O que estou aqui defendendo é que se o professor de filosofia contemporâneo observasse o método Socrático e fosse rigoroso tal qual Sócrates o era no ensino de filosofia, oferecendo ao aluno a oportunidade de expressar-se, a qualidade e o resultado obtidos seriam sem sombra de dúvida mais benéfico e vantajoso para ambos os lados, visto que o aluno estaria desenvolvendo as competências citadas para desfrutar ao máximo da sua capacidade intelectual, aprendendo de fato a filosofar e não apenas a rever a história feita por mestres como Sócrates, Platão, Aristóteles, dentre outros.
Ou seja, boa parte do que aprendemos na academia atualmente é a análise da história da filosofia. Essa é uma comprovação que pude fazer pela observação ao método utilizado por alguns professores nas minhas aulas no 1° período do bacharelado em filosofia. A maneira pela qual eles empreendem suas aulas, não abre espaço para a dialética. Ao contrário, muitas vezes são monólogos cansativos que desviam a atenção do aluno, ao passo que poderia ser de uma forma dialógica como propunha Sócrates, uma vez que a principal proposição do curso é ensinar o estudante a pensar criticamente sobre os problemas.
Alguém poderia fazer uma objeção a minha tese, dizendo que o pensar criticamente é uma competência que o aluno deveria trazer consigo do que foi aprendido nos anos anteriores no ensino fundamental e médio. Mas se isso não acontece, pode se deduzir a partir de então que há falhas não apenas no aprendizado por parte do aluno, mas também no método de ensino utilizado pelo professor.
Sócrates diz em um trecho do diálogo: “E quem não sabe o que uma coisa é, como poderia saber que tipo de coisa ela é?” (71-b). E quem não sabe como se pensa criticamente, como poderá esse alguém ensinar outra pessoa a pensar criticamente? Esse é uma deficiência que concerne não apenas ao aluno, mas também a alguns professores, que por sua vez tiveram uma formação também deficiente.
Baseado nas considerações se conclui que mediante a crise instaurada na nossa civilização ocidental, seria plausível propor um resgate ao método Socrático dialético, numa tentativa de reavivar o legado deixado por Sócrates e Platão.













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